Espelhamento
Afrodiaspórico
Experimento Cênico: Espelhamento como ferramenta de investigação de pesquisa e descolonização.
Sobre o experimento
O Experimento foi criado no contexto do programa de Mestrado Profissional em Artes da Cena da Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH) pela pesquisadora Jamile Guedes, com mediação de sua orientadora Profa. Dra. Mônica Pereira de Santana.
Experimento Cênico: ESPELHAMENTO é constituído pelos elementos da performance e do teatro, quebrando a quarta parede, dando abertura de participação com o público.
Em 10 de abril de 2025, no XI Seminário Anual de Pesquisa e Extensão da Escola Superior de Artes Célia Helena, O Experimento Cênico ESPELHAMENTO nasce no campo da pesquisa-ação, tornando possível o importante ponto de partida para a investigação no campo das artes, crítico-dialético a partir de uma visão com seus pares, tornando significativo e efetivo os estudos sobre o ESPELHAMENTO AFRODIÁSPORICO X ESPELHAMENTO INVERSO, tendo como perspectiva a narrativa de vida da pesquisadora Jamile Guedes e referências de autores que são base de estudos, são eles: a psicanalista Neuza Santos Souza, Frantz Fanon e o sociólogo Guerreiro Ramos.
ESPELHAMENTO AFRODIÁSPÓRICO
É o termo do qual adotei relacionando como a quebra de estereótipos, rejeições dos padrões imposto pela sociedade, afirmação da identidade, aceitação da autoimagem, pertencimento cultural e ancestral, a retomada da diáspora, a ressignificação de encontrar valor na própria imagem e na linguagem da comunidade diante das singularidades. A relação profunda entre a identidade negra e o ato de se olhar no espelho como uma não rejeição de sua negrura e ter como seu próprio reflexo o discurso sobre si mesmo.
Uma das formas de ter autonomia é possuir um discurso sobre si mesmo. Discurso que se faz muito mais significativo quando mais fundamentado no conhecimento concreto da realidade. (Neusa Santos Sousa, 1983, p.17.)
ESPELHAMENTO INVERSO
É outro conceito com o qual estou operando, diz respeito aos reflexos da colonização histórica que se perpetuam em nossa contemporaneidade impactando na auto-rejeição, o desprezar de si mesmo associado a baixa autoestima. O que implica no desejo de querer embranquecer a partir de crenças, linguagem, escolhas afetivas, estética, cultura… com o objetivo de ser validado perante o que a sociedade dita ser aceito, seja de forma consciente ou inconsciente, tornando uma grande tortura psicológica no processo de encontrar valor em sua própria imagem. E se não há valor na própria imagem, tudo o que reflete sua semelhança, também não haverá valor, fortalecendo o não pertencimento, a rejeição e a invalidação afrodiaspórica.
Assistimos, então, à invasão catastrófica de afetos e representações sem nome ou sentido, com seus correlativos sentimentos de perda da identidade e despersonalização: ” Contavam que (quando era pequena) falava muito sozinha, tinha amigos invisíveis, falava muito na frente do espelho, era uma sensação de me sentir, de me reconhecer, de identidade minha. Falava comigo mesma, me achava muito feia, me identificava como uma menina negra, diferente; não tinha nenhuma menina como eu. Todas as meninas tinham o cabelo liso, o nariz fino. Minha mãe mandava eu colocar o pregador de roupa no nariz para ficar menos chato. Depois eu fui sentindo que aquele negócio de olhar no espelho era uma coisa ruim. Um dia eu me percebi com medo de mim no espelho! Tive uma crise de pavor. Foi terrível. Fiquei um tempo grande assim; não podia me olhar no espelho com medo de reviver aquela sensação. (Neusa Santos Sousa, 1983, p.15.)25,
É o termo do qual adotei relacionando como a quebra de estereótipos, rejeições dos padrões imposto pela sociedade, afirmação da identidade, aceitação da autoimagem, pertencimento cultural e ancestral, a retomada da diáspora, a ressignificação de encontrar valor na própria imagem e na linguagem da comunidade diante das singularidades. A relação profunda entre a identidade negra e o ato de se olhar no espelho como uma não rejeição de sua negrura e ter como seu próprio reflexo o discurso sobre si mesmo.
Uma das formas de ter autonomia é possuir um discurso sobre si mesmo. Discurso que se faz muito mais significativo quando mais fundamentado no conhecimento concreto da realidade. (Neusa Santos Sousa, 1983, p.17.)
É outro conceito com o qual estou operando, diz respeito aos reflexos da colonização histórica que se perpetuam em nossa contemporaneidade impactando na auto-rejeição, o desprezar de si mesmo associado a baixa autoestima. O que implica no desejo de querer embranquecer a partir de crenças, linguagem, escolhas afetivas, estética, cultura... com o objetivo de ser validado perante o que a sociedade dita ser aceito, seja de forma consciente ou inconsciente, tornando uma grande tortura psicológica no processo de encontrar valor em sua própria imagem. E se não há valor na própria imagem, tudo o que reflete sua semelhança, também não haverá valor, fortalecendo o não pertencimento, a rejeição e a invalidação afrodiaspórica.
Assistimos, então, à invasão catastrófica de afetos e representações sem nome ou sentido, com seus correlativos sentimentos de perda da identidade e despersonalização: "Contavam que (quando era pequena) falava muito sozinha, tinha amigos invisíveis, falava muito na frente do espelho, era uma sensação de me sentir, de me reconhecer, de identidade minha. Falava comigo mesma, me achava muito feia, me identificava como uma menina negra, diferente; não tinha nenhuma menina como eu. Todas as meninas tinham o cabelo liso, o nariz fino. Minha mãe mandava eu colocar o pregador de roupa no nariz para ficar menos chato. Depois eu fui sentindo que aquele negócio de olhar no espelho era uma coisa ruim. Um dia eu me percebi com medo de mim no espelho! Tive uma crise de pavor. Foi terrível. Fiquei um tempo grande assim; não podia me olhar no espelho com medo de reviver aquela sensação. (Neusa Santos Sousa, 1983, p.15.)"
É o termo do qual adotei relacionando como a quebra de estereótipos, rejeições dos padrões imposto pela sociedade, afirmação da identidade, aceitação da autoimagem, pertencimento cultural e ancestral, a retomada da diáspora, a ressignificação de encontrar valor na própria imagem e na linguagem da comunidade diante das singularidades. A relação profunda entre a identidade negra e o ato de se olhar no espelho como uma não rejeição de sua negrura e ter como seu próprio reflexo o discurso sobre si mesmo.
Uma das formas de ter autonomia é possuir um discurso sobre si mesmo. Discurso que se faz muito mais significativo quando mais fundamentado no conhecimento concreto da realidade. (Neusa Santos Sousa, 1983, p.17.)
É outro conceito com o qual estou operando, diz respeito aos reflexos da colonização histórica que se perpetuam em nossa contemporaneidade impactando na auto-rejeição, o desprezar de si mesmo associado a baixa autoestima. O que implica no desejo de querer embranquecer a partir de crenças, linguagem, escolhas afetivas, estética, cultura... com o objetivo de ser validado perante o que a sociedade dita ser aceito, seja de forma consciente ou inconsciente, tornando uma grande tortura psicológica no processo de encontrar valor em sua própria imagem. E se não há valor na própria imagem, tudo o que reflete sua semelhança, também não haverá valor, fortalecendo o não pertencimento, a rejeição e a invalidação afrodiaspórica.
Assistimos, então, à invasão catastrófica de afetos e representações sem nome ou sentido, com seus correlativos sentimentos de perda da identidade e despersonalização: "Contavam que (quando era pequena) falava muito sozinha, tinha amigos invisíveis, falava muito na frente do espelho, era uma sensação de me sentir, de me reconhecer, de identidade minha. Falava comigo mesma, me achava muito feia, me identificava como uma menina negra, diferente; não tinha nenhuma menina como eu. Todas as meninas tinham o cabelo liso, o nariz fino. Minha mãe mandava eu colocar o pregador de roupa no nariz para ficar menos chato. Depois eu fui sentindo que aquele negócio de olhar no espelho era uma coisa ruim. Um dia eu me percebi com medo de mim no espelho! Tive uma crise de pavor. Foi terrível. Fiquei um tempo grande assim; não podia me olhar no espelho com medo de reviver aquela sensação. (Neusa Santos Sousa, 1983, p.15.)"